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  • sábado, 31 de janeiro de 2026

    A visão espírita de Jorge Hessen: fidelidade doutrinária e diálogo com o presente

    Jorge Hessen


    A produção intelectual de Jorge Hessen insere-se no esforço contemporâneo de preservar a identidade do Espiritismo diante das tensões culturais do século XXI. Seus textos partem do princípio kardeciano de que a Doutrina é, simultaneamente, ciência de observação, filosofia moral e religião no sentido do vínculo com Deus e com o próximo. Tal compreensão remete ao ensinamento de Kardec de que o Espiritismo “se apoia na razão e no bom-senso” (KARDEC, 2019, p. 42), não podendo ser submetido a modismos ideológicos.

    Hessen sustenta que a mensagem espírita possui eixo ético inegociável: a imortalidade da alma, a reencarnação e a lei de causa e efeito exigem responsabilidade pessoal. Em consonância com Emmanuel, recorda que “a cada criatura será pedido segundo as oportunidades recebidas” (XAVIER, 2013, p. 87). O conhecimento espiritual, portanto, não é privilégio intelectual, mas compromisso de transformação íntima. Daí sua ênfase constante na reforma moral como núcleo do verdadeiro progresso.

    Outro aspecto marcante é o olhar crítico sobre a sociedade. O autor analisa política, família e cultura, advertindo que o Espiritismo não se confunde com sistemas partidários. Léon Denis já afirmava que “as soluções exteriores serão sempre frágeis enquanto o homem interior permanecer enfermo” (DENIS, 2017, p. 133). Hessen retoma essa linha ao argumentar que a justiça social autêntica nasce da educação das consciências e não de utopias que desconsideram a natureza espiritual do ser.

    Em seus artigos, a desigualdade humana é compreendida à luz do mundo de expiações e provas, onde diferentes posições econômicas funcionam como instrumentos pedagógicos. Tal raciocínio ecoa Kardec ao esclarecer que as vicissitudes terrenas são “meios de adiantamento para o Espírito” (KARDEC, 2018, p. 221). O escritor, porém, não legitima abusos; antes convoca à caridade ativa e à responsabilidade dos que administram recursos materiais.

    Hessen também dialoga com a ciência contemporânea, valorizando pesquisas sobre mente e consciência, mas mantendo o critério kardeciano do controle universal do ensino dos Espíritos. Para ele, a fé espírita deve ser raciocinada, conforme a lição de que “fé inabalável só o é a que pode encarar a razão face a face” (KARDEC, 2019, p. 65). Essa postura evita tanto o misticismo ingênuo quanto o materialismo reducionista.

    No centro de sua visão está o cristianismo redivivo. Jesus é apresentado como modelo ético insuperável, e o amor como lei estruturante da evolução. Emmanuel recorda que “fora da caridade não há caminho seguro” (XAVIER, 2014, p. 19), ideia reiterada por Hessen ao conclamar os espíritas à coerência entre discurso e vida.

    Assim, a contribuição do escritor caracteriza-se por firmeza doutrinária e coragem analítica. Seus textos pretendem despertar o movimento espírita para o estudo sério das obras básicas e para a atuação responsável no mundo, sem submissão a paixões ideológicas. Trata-se de uma voz que procura manter acesa a advertência de Denis: “o Espiritismo será o que dele fizerem os homens” (DENIS, 2017, p. 201). A obra de Hessen convida a que o façamos instrumento de elevação moral e de autêntica liberdade espiritual.

    Referências (ABNT)

    DENIS, Léon. Depois da morte. 33. ed. Brasília: FEB, 2017.

    KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131. ed. Brasília: FEB, 2019.

    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 94. ed. Brasília: FEB, 2018.

    XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Fonte viva. 45. ed. Brasília: FEB, 2013.

    XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). Caminho, verdade e vida. 38. ed. Brasília: FEB, 2014.

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