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  • terça-feira, 29 de outubro de 2019

    É tristeza ou depressão? Eis a questão!

    É tristeza ou depressão? Eis a questão!  (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    Antes de abordarmos o tema, cabe distinguir a simples tristeza da depressão. A tristeza é um sentimento corriqueiro que surge ocasionalmente em nossos corações. Mormente quando advém um acontecimento que sacode a nossa vida, porém é provisória.
    Estranhamente, hoje em dia qualquer tristeza é tratada como doença psiquiátrica. Os pacientes preferem recorrer aos remédios a encarar os desafios da vida. Muitos médicos se rendem aos laboratórios farmacêuticos e indicam antidepressivos sem necessidade, exceto os psiquiatras, que são os que menos receitam antidepressivos, porque estão mais preparados para reconhecer as diferenças entre a “tristeza normal" e a patológica (depressão).
    O que diferencia a "tristeza normal" da patológica é a intensidade. A tristeza patológica é muito mais intensa. A normal é um estado de espírito. Além disso, a patológica é longa. É o aperto no peito, a dificuldade de se movimentar; a pessoa só quer ficar deitada, tem dificuldade de cuidar de si própria, da higiene corporal. Na "tristeza normal" pode acontecer isso por um ou dois dias, mas depois passa. Na patológica, fica nas entranhas do ser.
    Quem mais receita antidepressivos não são os psiquiatras, são os demais médicos. Os psiquiatras têm uma formação para perceber que primeiro é preciso ajudar a pessoa a entender o que está se passando com ela e depois, se for uma depressão, medicar. Agora, os não psiquiatras não querem ouvir. O paciente diz: “Estou triste.” O médico responde: “Pois não”, e receita o ansiolítico. Eis o problema!
    A depressão deriva de duradoura ansiedade íntima. É uma indiferença de sentir o gozo pela vida, resultando em certo desgosto por viver. Essa amargura ou vazio d’alma podem estar escoltados por ideias de morte que se manifestam de múltiplas formas: o deprimido pode almejar morrer e até atentar contra a própria vida, ou meramente pode não ansiar mais viver, porém não pensa em tirar a própria vida e até receia a morte.
    O processo depressivo pode variar de magnitude e é qualificado pela psiquiatria como depressão leve, quando os sintomas não intervêm em demasia no cotidiano, como depressão moderada quando já há um comprometimento maior na sustentação das atividades habituais e como depressão grave – neste estágio a pessoa torna-se bastante limitada na labuta cotidiana.
    É muito importante buscar modos de se evitar chegar nesse nível, trabalhando-se com as causas profundas da doença, que por ser uma doença das emoções não tem sinais físicos ou bioquímicos. Frequentemente o doente deprimido ouve frases do tipo “você não tem nada” ou “depressão é frescura”, às vezes pronunciadas até por clínicos, que após escutarem o paciente requerem exames complementares que exibem resultados negativos.
    Por outro lado, há aqueles médicos que se deixam levar pelo lobby da indústria farmacêutica. Não se pode mais ficar enfadado, apoquentado, triste, porque isso é imediatamente transformado em depressão. É a medicalização de uma condição humana. É transformar um sentimento normal, que todos nós temos, dependendo das situações, numa entidade patológica. Há situações em que, se não ficarmos abatidos, pode gerar transtornos emocionais – como quando se “perde” um ente querido. Mas muitos médicos não compreendem racionalmente alguns sentimentos e sintomas humaníssimos.
    Muitos aflitos costumam recorrer aos tranquilizantes e se debatem aflitivamente para que a aflição não os abarque a vida cotidiana. É comum nos extasiarmos ante a beleza das estrelas do firmamento, em rogativas ao Criador, a fim de que a angústia não nos abata e nem nos alcance a caminhada, ou ainda para que os sofrimentos desviem para outros rumos. Contudo, a realidade das provas e expiações ante os estatutos de Deus chegará inexorável como mecanismos naturas de nossa evolução.
    Ante os ventos impetuosos das chibatas emocionais, nos sentimos vencidos e solitários. Mas em realidade, o que parece infelicidade ou derrota pode significar intercessão providencial de Deus, sem necessidade, portanto do uso de tranquilizantes para aliviar a dor. Em muitos momentos da existência, quando choramos lágrimas de angústias, os Benfeitores se rejubilam de “lá”, da mesma forma em que os pomicultores de “cá” descansam, serenos, após o labor do campo bem podado. A vida é assim!
    Essas lágrimas asfixiantes, muitas vezes representam para nós alegrias nas dimensões superiores da vida espiritual. Evidentemente nossos protetores do além não são indiferentes quando estamos em padecimentos atrozes, mas eles sabem exatamente que tal situação sinaliza possibilidades renovadoras no buril do nosso crescimento espiritual.


    segunda-feira, 28 de outubro de 2019

    Espíritas progressistas?... Que coisa mais estranha! (Jorge Hessen)

    Espíritas progressistas?... Que coisa mais estranha! (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    Doutrinariamente falando, seria o espírita de “esquerda” ou de “direita”? Nem uma, nem outra. Ou melhor, no mínimo, um estudioso de Kardec deve ser de “centro” espírita (é lógico!). Humor à parte, nas hostes do Espiritismo não deveria haver espaços para militâncias ideológicas de “esquerda” ou de “direita”. Lembrando que longe (bem longe mesmo!) das instituições doutrinárias não é vedado ao espírita a participação do movimento político-partidário. Isso é uma questão pessoal.
    Nas hostes espíritas, porém, não se deveria adotar qualquer confraria política. Atrair militância política partidária de “esquerda” ou “direita” para o ambiente espírita seria tão esdrúxulo quanto uma roda quadrada. Em face disso, não se deveria tratar duelos eleitorais (no sentido de desinteligências) nos recintos espíritas. A Doutrina Espírita encontra-se acima de nuances políticas transitórias.
    Assistimos com estupefação promoção de “seminários” entre os tais espíritas “progressistas”, aqueles que se declaram espíritas “socialistas”, mas que, de praxe, não abrem mão de um requintado “caviar”. Tais “espíritas” “socialistas” /“progressistas” / “protetores dos pobres e oprimidos”, via de regra, estão pouco se lixando com os deserdados e não movem uma palha para conhecerem de perto e ou improvisarem uma visitinha às instituições doutrinárias especializadas em prestação de serviços à comunidade de indigentes econômicos.
    Tais “espíritas progressistas” apontam Kardec como um ingênuo por ter explanado em O Evangelho Segundo o Espiritismo sobre a desigualdade das riquezas explicando-a sob a lei da reencarnação. Evocam tais “espíritas progressistas” que o proprietário dos meios de produção gera riquezas só para si, enquanto aos que trabalham resta o salário, representando apenas uma parte da riqueza gerada.
    Creem no lema “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades", por isso os “espíritas progressistas” divergem de Kardec, dizendo que o Codificador se equivocou quando afirmou que é um ponto matematicamente demonstrado que a fortuna igualmente repartida daria a cada qual uma parte mínima e insuficiente.
    Kardec assegurou também que se houvesse a repartição dos bens materiais (riqueza), o equilíbrio estaria rompido em pouco tempo, pela diversidade dos caracteres e das aptidões. Tal verdade kardeciana é insuportável para os “espíritas progressistas”, pois estes defendem a distribuição irrestrita dos bens produzidos pelas empresas,  a fim de que os proletários possam viver na prerrogativa e violência ideológica do infausto igualitarismo; os “espíritas progressistas” idealizam uma sociedade altruísta (à base de caviar), sem valorizar as legítimas conquistas individuais para a boa performance das estruturas sociais.
    Quando Kardec afirmou que se a repartição da riqueza fosse possível e durável, cada um tendo apenas do que viver, e que seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem-estar da Humanidade, os “espíritas progressistas” alardearam que isso representa uma blasfêmia, pois as tecnologias produzidas têm atendido fundamentalmente às necessidades supérfluas da grande massa de consumidores – portanto, pessoas que já possuem o necessário podem utilizar a sua riqueza para o consumo do supérfluo.
    Regurgitam os tais “espíritas progressistas”, questionando por que supor que Deus é o agente da concentração de riquezas? Protestam, então, que a riqueza se concentra pelo simples fato de que quem já possui fortuna tem mais chances de vencer num mercado competitivo, e assim acumular mais riqueza num movimento crescente de concentração de capital. Como se observa uma, dedução horizontalizada, leviana, mecanicista e nada razoável dos “insurgentes progressistas”, que insistem em dizer que isso não significa que devamos “ler a realidade” como um “plano de Deus”.
    Acreditam os “progressistas” que a riqueza pode e deve ser concentrada sob a propriedade coletiva (sic), visando exclusivamente o benefício geral da humanidade, não permitindo a desigualdade de riqueza, pois assim toda a sociedade acaba “refém” da decisão do endinheirado de bem ou mal utilizar a riqueza. Além do que, a sua apropriação fica sendo necessariamente injusta, já que os trabalhadores que recebem salário como remuneração pela venda de sua força de trabalho não ganham integralmente por toda a riqueza por eles produzida.
    Expõem ainda os “progressistas” que no Brasil as desordens distributivas estão na ordem do dia, pois os ricos se tornaram mais ricos, os pobres se tornaram menos pobres e uma certa classe média tradicional viu sua posição relativa em relação a essas duas outras camadas prejudicada. A classe média perdeu status. Os ricos se distanciaram e os pobres se aproximaram, daí o conflito atual. Que saibam utilizar a inteligência a fim de entenderem que “as classes [sociais] existiram e existirão sempre, o que, porém, deve preocupar, e é racional estabelecer a solidariedade entre elas, a conciliação de seus interesses, a multiplicação urgente das leis de assistência social, únicas alavancas mantenedoras da ordem.''[1]
    É bem verdade que a desigualdade social ou econômica é um problema presente em todos os países (ricos ou pobres), decorrente da má distribuição de renda e, ademais, pela falta de investimento na área social. Compreendemos que uma repartição mais equitativa dos “bens” é imprescindível. Há “trocentas” teorias sociológicas, mil sistemas diferentes, tendendo a reformar a situação das classes desprovidas, a assegurar a cada um, pelo menos, o estritamente necessário. Ótimo!
    Mas, infelizmente, noutro cenário, ao invés da recíproca tolerância que deveria aproximar os homens, a fim de lhes permitir estudar em conjunto e resolver os mais graves problemas sociais, tem sido com violência que o militante reivindica seu lugar na ágape social. Outrossim, é uma lástima ver o endinheirado aguilhoado no seu egoísmo e recusando a ofertar aos famintos as menores migalhas da sua fortuna. Dessa forma, um muro tem separado ambos, e os quiproquós, as selvagerias, as cupidezes, as animosidades, os desrespeitos acumulam-se dia a dia.
    Politicamente sabemos que as leis elaboradas pelos legisladores podem, de momento, modificar o exterior, mas não logram mudar a intimidade do coração humano; daí vem serem os decretos de duração efêmera e quase sempre seguidos de uma reação mais depravada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho. Os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
    Para confirmar as magníficas teses de Kardec sobre o assunto, reflitamos com Emmanuel: “A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus-Cristo, a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos”.[2]

    Referências bibliográficas:
    [1] Xavier Francisco Cândido. Palavras do infinito, III parte, ditado pelo Espírito Emmanuel, SP: Ed. LAKE, 1936
    [2] Xavier , Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 55, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1978

    segunda-feira, 21 de outubro de 2019

    O arrependimento como um convite à extração da pureza íntima para reparação do erro (Jorge Hessen)

    O arrependimento como um convite à extração da pureza íntima para reparação do erro (Jorge Hessen) 


    Jorge Hessen 
    Brasília-DF 

    A Providência Divina oportuniza ao Espírito falido uma experiência reencarnatória desafiadora, como um convite (amoroso e/ou doloroso), para reparação e reaprendizado das derrocadas morais de vidas passadas e atuais. 

    Precisamos ajuizar o preceito de Causa e Efeito com o máximo discernimento, a fim de nos conscientizarmos sobre seu mecanismo, que desfere tanto reparações desafiadoras, quanto gratificações surpreendentes, sucessivamente, justas, criteriosas e controladas, as quais expressam a resposta da Providência Divina contra a desarmonia constituída ou submissões aos Códigos divinos da consciência em suas profundas estruturas. 

    Ninguém está sujeito ao império aleatório da “casualidade”, pois o acaso não existe. A casualidade não pode governar nossos destinos. É o código de Causa e Efeito ou a Providência divina, que tudo ordena, corrige e atua na imensidade colossal do Universo. Tal divino ditame é para que nós nos resguardemos de nós mesmos e não objetiva processos punitivos sem indultos. 

    Experimentamos, após a desencarnação, os resultados das imperfeições que não conseguimos corrigir na vida física. As Leis divinas, ínsitas na consciência, asseguram que felicidade e desdita sejam reflexos naturais das nossas escolhas em grau de pureza ou impureza moral. A felicidade relativa reflete a concernente ascensão moral do Espírito, enquanto a imperfeição causa dor e a dor quando não é aceita amorosamente se transforma em sofrimento. Portanto, quanto mais evoluído é o Espírito maior o grau de felicidade e menor é a amplitude da dor. 

    Pelas nossas livres escolhas somos responsáveis pelas consequências determinantes da trajetória do nosso destino, podendo delongarmos as dores pela persistência no mal, ou atenuá-las e até anulá-las pelo exercício do bem. Um dos mecanismos que suavizam o açoite da dor é o arrependimento. Entretanto não nos basta o arrependimento, ou seja, termos a consciência da dimensão do delito com o firme propósito de não reincidir no mesmo, pois são imprescindíveis a expiação (como ação de extrair a pureza), isto é, extrairmos a pureza que há em nossa essência divina, a fim de que haja a necessária e amorosa reparação. 

    A reparação, por sua vez, consiste em, ao fazermos o bem primeiramente a nós mesmos, bancarmos em seguida o bem àqueles a quem fizemos o mal. Em que pese a diversidade de gêneros e graus de dores dos Espíritos imperfeitos, a Lei de Deus estabelece que a dor (que jamais será punitiva) seja inerente à impureza espiritual. 

    Toda “imperfeição”, assim como todo delito dela decorrente, traz consigo a necessidade de inevitável reparação. Assim, a doença é um convite divino para a reeducação reparadora dos excessos e do emprego mental irresponsável nasce o tédio, sem que haja mister de sentença condenatória especial para cada erro ou indivíduo. Podendo nos libertar das nossas imperfeições por efeito da vontade, pensamentos e sentimentos podemos igualmente anular as dores decorrentes e assegurar a atual felicidade relativa.


    quarta-feira, 16 de outubro de 2019

    O autoperdão para libertar-se da culpa (*)

    O autoperdão para libertar-se da culpa (*)


    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    A autoconsciência e o autoperdão são duas virtudes fundamentais para a diluição da culpa. Porém, é necessário o treino do autoacolhimento amoroso que precisa ser irrigado pelos cinco sentimentos básicos, a saber: autoestima, autoaceitação, autoconfiança, autovalorização e autorrespeito. Esse exercício viabiliza a nossa autorrenovação por amor e pelo amor. Mas a manutenção do estado culposo impossibilita tudo isso.
    Somente o autoperdão nos libera para a reabilitação diante da consciência, se assumirmos a responsabilidade do erro e nos esforçarmos reflexivamente para repará-lo.
    A vida são as oportunidades bem aplicadas no presente, no aqui e agora, nunca os fracassos do passado. Todavia, existem os que vivem interligados aos insucessos do ontem, agindo qual aqueles que querem dirigir o automóvel apenas olhando para o retrovisor; com certeza vão causar acidentes. Não se pode permanecer preso às negatividades do passado, é importante ficar atento às oportunidades de cada momento do presente (que é um empréstimo divino que se renova a cada instante).
    Esquecer os malogros do passado não significa “não lembrar”, contudo é resignificá-los. Deste modo, embora possa parecer que esquecemos, em verdade, deixamos a recordação num plano não acessível de modo consciente. Ou seja, não ficarmos remoendo o que já passou, porém o que se culpa fica incessantemente remoendo o erro cometido.
    Quando nos libertamos do detrito mental, amontoado pelo estigma culposo, principiamos o soerguimento espiritual, e toda uma atividade nova se nos apresenta favorável, abrindo-nos espaços para saúde integral. O lixo mental que herdamos é acumulado pela nossa ausência de conhecimento nos três níveis de ignorância: do não saber, do não sentir e do não vivenciar a verdade. São tais ignorâncias que produzem os entulhos mentais, os insucessos e a fragilidade do Espírito de não se esforçar para superar a própria ignorância.
    Considerando nossa fragilidade, precisamos nos conceder a oportunidade de reparar os males praticados, nos habilitando sempre perante a consciência através do autoperdão mormente diante daqueles a quem prejudicamos. Isso não significa anulação da falta que cometemos, porém a concessão da oportunidade de reparação dos desacertos. Portanto, o autoperdão não se funda numa falsa tolerância desculpista dos próprios erros. Isso seria desmazelo moral, cumplicidade e ingenuidade. Antes, o autoperdoar-se  representa a possibilidade de crescimento mental e moral, propiciando direcionamento correto das novas escolhas para o bem-estar pessoal e coletivo.
    É impossível alguém melhorar o comportamento da noite para o dia. É indispensável o esforço de enriquecimento moral ininterrupto. O autoperdão é um processo de autorresponsabilidade, fruto do amadurecimento do senso intelecto moral. Com a disposição contínua de reparação dos erros, ampliamos as virtudes através dos graduais esforços no exercício do bem, admitindo que nesse procedimento não nos tornaremos “puros” num piscar de olhos, porquanto ainda erraremos muitas vezes; porém nunca nas mesmas proporções anteriores, porque aprenderemos e cresceremos com os nossos erros.
    Quando nos perdoamos, aprendemos a pedir perdão ao outro. A coragem de solicitar perdão e a capacidade de perdoar são dois mecanismos terapêutico-libertadores da culpa. Até porque a saúde mental e comportamental impõe a liberação da culpa, utilizando-nos do valioso contributo do discernimento capaz de avaliar a qualidade das ações e permitir as reparações dos erros e o estado de gratidão quando acertadas.
    O equilíbrio entre consciência e comportamento tem um preço: a persistência no dever moral, como aguilhão da consciência e guardião da probidade interior. Em face disso, para nos livrarmos da culpa é muito importante o esforço continuado, paciência e perseverança no dever consciencial. Não nos consintamos abater o ânimo, reabasteçamo-nos nas conexões e diálogos íntimos com Deus através dos sentimentos e pensamentos edificantes que podemos aperfeiçoar em qualquer circunstância.
    Façamos os esforços necessários para expandir os pensamentos elevados que devemos cultivar em qualquer situação. Seremos sempre responsáveis pelos efeitos dos nossos atos. Colheremos conforme semeamos. Assumamos, portanto, o nosso compromisso consciencial através do convite amoroso de Jesus. Dessa forma permaneceremos saudáveis intimamente, prosseguindo íntegros nos deveres assumidos, sempre sob a responsabilidade da ação transformadora, sem jamais transferir para terceiros os nossos próprios insucessos.

    (*) Texto com base no Projeto Espiritizar contido no link https://www.youtube.com/watch?v=bGZG8m5bKxQ&t=3430s

    quinta-feira, 10 de outubro de 2019

    Uma resposta reflexiva para Carlos Vereza

    Uma resposta reflexiva para Carlos Vereza
    Um cego guiando outros cegos o abismo será  inevitável , disse Jesus


    Prezado Carlos Vereza,

    A sua intransigente defesa do “pseudomédium” (citado na reportagem do Fantástico) não fará dele um médium ungido e verdadeiro. 
    As fraudes “pseudomediúnicas”,  que o mesmo pratica, são evidentes nos apontamentos investigativos comprobatórios, que demonstram os disfarces das cognominadas “cartas de Fátima”, preparadas através dos dados informativos (pessoais e familiares) extraídos das redes sociais.
    O sinistro da situação é reconhecermos que os familiares supostamente “confortados” pelas cartas de “faz de conta”, seguramente, após a reportagem do Fantástico, ficarão em situação de instabilidade psíquica e emocional, isto porque, naturalmente não depositarão mais o crédito integral nas cartas “pirateadas” que possuem.  
    Além de que, não será com as espetacularizações e  humilhantes doações de esmolas aos deserdados que o pseudomédium obterá a serenidade da consciência delituosa. Até porque ele vem respondendo a um processo criminal junto à Policia Civil do Rio De Janeiro sob “acusação caluniosa” e “estelionato”.
    Em verdade, há alguns anos o pseudomédium vem causando enormes estragos morais e afetivos nas almas dos milhares de familiares enganados, que buscaram de boa-fé o suposto atrativo mediúnico, porque jaziam em momentos de dor e sombria vulnerabilidade emocional por causa da ausência dos seus queridos. 
    Eis aí uma oportunidade favorável para que esses familiares que foram e se sintam tapeados mostrarem o rosto ao público e divulgarem seus depoimentos em vídeos nas redes sociais, contando a sua história a fim de alertarem outras famílias para não se tornarem vítimas desse crime de lesa-Deus no campo da abençoada mediunidade. (*)
    Lamentavelmente muitos destes parentes enganados preferem fingir que acreditam nas supostas cartas “consoladoras” , enquanto isso o falso médium prosseguirá nos embustes (VENDENDO SEUS LIVRESCOS).
    Senhor Carlos Vereza, está havendo de sua parte e demais intolerantes  seguidores do pseudomédium uma absoluta inversão dos valores morais e éticos. Informo-lhe que muitos outros investigadores de assuntos metafísicos, inclusive o Guilherme Velho, há vários anos estamos colhendo material e testemunhos, visando analisá-los para edificação das nossas convicções com foco no fortalecimento e confirmação dos princípios espíritas, através das sanções naturais da imortalidade.
    Guilherme Velho ao ser entrevistado no referido programa não se apequenou, ao contrário disso, representou-nos muito bem ao confirmar por meio de provas cabais que as fraudes do pseudomédium são reais. As tramoias mediúnicas igualmente foram confirmadas na entrevista das vítimas enganadas, que você está desmerecendo e friamente injuriando ao encastelar, falsa reputação, a um impostor da mediunidade.
    Carlos Vereza, você está promovendo uma injusta perseguição não somente ao aguerrido investigador, mas a todos os outros pesquisadores, envolvidos no caso, entre os quais me incluo. Nada justifica, neste caso, a sua disposição abrutalhada de tratar-nos como estúpidos. 
    Você está sob o guante da agressividade, alimentando desamor com extremada intransigência contra os atuais pesquisadores espíritas que estão contribuindo honestamente na busca do resguardo do bom nome do Espiritismo.
    Na sua incondicional inversão dos legítimos valores morais, sob a égide da sua proeminência e prestígio de ex-ator global,  há uma avalanche de manifestos em exagerada e abominável desproporção numérica no cenário deste embate, entre os idólatras iludidos que acobertam o pseudomédium e os pesquisadores criteriosos que apontam as falcatruas do mesmo.
    Se a justiça humana não aplicar as sanções que apenam os crimes (citados acima) do tal afamado e venerado pseudomédium, defraudador dos princípios da probidade, com certeza absoluta as Leis divinas (da própria consciência dele) os advertirão,  a fim de que se prepare psicológica, moral e economicamente  para encarar a imprescindível reparação dos atinados agravos morais causados pelas suas opções malsãs.
    Que Deus tenha PROFUNDA misericórdia a todos os familiares enganados e que fortaleça o bom ânimo daqueles que buscam marchar pelas estradas da VERDADE KARDECIANA.

    Cordialmente
    Jorge Hessen
    Pesquisador espírita


    (*) Disk Denúncia
    Delegacia de Crimes Cibernéticos - RJ
    Fone 21 2202 0638
    Se você recebeu uma carta fraudada
    Denuncie e se preferir o seu anonimato será preservado.

    terça-feira, 8 de outubro de 2019

    Psicografias em investigação: Fernando Ben é acusado de falsificar mediunidade

    Psicografias em investigação: Fernando Ben é acusado de falsificar mediunidade


    Reportagem do programa Fantástico (TV Globo) relata a acusação de supostas fraudes de mediunidade de Fernando Bien, dito médium de psicografia.

    Com o título "Suposto médium espírita, que lotava ginásios, é acusado de fraude em suas psicografias" e subtítulo "Fernando Ben é suspeito de tirar informações das redes sociais para colocar nas cartas psicografadas e foi indiciado por estelionato e denunciação caluniosa. Ele nega acusações.", a matéria global reporta testemunhas que alegam que o suposto médium frauda a mediunidade coletando pelas redes sociais informações de pessoas falecidas cujos familiares e amigos costumam seguir as sessões das "Cartas de Fátima" atrás de um contato com esses Espíritos queridos, para então Ben compor supostas mensagens mediúnicas e com isso ganhar notoriedade para depois se beneficiar de seu trabalho através de, por exemplo, doações e vendas de produtos.



    A respeito de pseudomediunidade e usurpação desse "dom", nós já publicamos aqui um artigo interessante, assinado pelo pesquisador espírita Jorge Hessen, com o título "Internet, redes sociais e os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores", de 14 de fevereiro deste 2019. Aliás, Hessen foi um dos críticos processados por Fernando Ben exatamente devido a suspeita levantada de seu trabalho mediúnico. Inclusive, Hessen foi o articulador do manifesto público  alertando os espíritas e simpatizantes sobre a exploração que se tem feito da mediunidade, especialmente a pretexto de cartas de entes falecidos. Esse manifesto foi citado na reportagem do Fantástico.

    Abaixo, a entrevista completa do repórter da Globo com o médium:



    Não entraremos no mérito do trabalho de Fernando Ben, confiando à nossa justiça civil a devida apuração das acusações e a defesa do suposto médium, sabendo ainda que, além das competências investigativa terrena, estamos todos sob o pálio da justiça divina, implacável e absolutamente eficaz. Não conhecemos Fernando Ben pessoalmente e nem acompanhamos intimamente o seu trabalho, de modo que nem podemos absolvê-lo nem tampouco condená-lo por estas acusações. Mas, aproveitando o ensejo da matéria, vamos tratar do problema conceitual, que é a exploração da mediunidade.


    Exploração da mediunidade

    Mediunidade é um canal extraordinário que a Providência Divina concede em benefício tanto dos encarnados quanto dos Espíritos, donde transcorrem aí mecanismos diversos de ajustes e experimentações salutares para o processo evolutivo de todos os envolvidos. O trabalho de "cartas consoladoras", de que  a biografia de Chico Xavier é ícone, tem transformado vidas e vidas, positivamente, criando laços humanos com a espiritualidade em face dos valores superiores. Veja-se, por exemplo, o resultado do livro Esperança e Fé, que há pouco publicamos aqui (saiba mais sobre isso).



    No entanto, dada a fraqueza espiritual de pessoas ainda carentes de um amadurecimento consciencial e as tendências de egoísmo desses espíritos deveras imperfeitos, o instrumento da mediunidade não poderia escapar da exploração, como o previu Allan Kardec, na codificação do Espiritismo. Tanto que ele dedicou um capítulo especial ao tema na obra O Livro dos Médiuns, o guia prático da mediunidade e a melhor orientação para a boa conduta diante do dom de intermediar as mensagens do mundo espiritual. No capítulo XXVIII temos então o título "Do charlatanismo e do embuste", onde o codificador espírita assevera a força motriz das usurpações da mediunidade:
    Como tudo pode se tornar objeto de exploração, nada de surpreendente haveria em que também quisessem explorar os Espíritos. Resta saber como eles receberiam a coisa, dado que tal especulação viesse a ser tentada. Diremos desde logo que nada se prestaria melhor ao charlatanismo e à trapaça do que semelhante ofício. Muito mais numerosos do que os falsos sonâmbulos, que já conhecemos, seriam os falsos médiuns e este simples fato constituiria fundado motivo de desconfiança. O desinteresse, ao contrário, é a mais concreta resposta que se pode dar aos que só veem trambiques nos fenômenos. Não há charlatanismo desinteressado. Assim, qual a intenção visada pelos que usassem de embuste sem proveito, sobretudo quando a honra os colocasse acima de toda suspeita?
    Allan Kardec

    O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XXVIII, item 304


    Portanto, o sinal mais evidente de falsidade mediúnica é o do interesse qualquer do pseudomédium, seja esse interesse material ou mesmo a vaidade, o desejo de ser notado, reconhecido, ou seja, a ostentação da personalidade. Por isso, onde houver qualquer vantagem, ou ilusória vantagem, em favor daquele que se apresenta como portador da espiritualidade, aí está um grave vestígio de charlatanismo. Por outro lado, onde se encontra humildade e desprendimento do tarefeiro, nisso temos bom indício de boa prática mediúnica.

    Faz bem lembrar também que a mediunidade não é um patrimônio do Espiritismo: ela existe dentro e fora da prática espírita — Fernando Ben, aliás, declara-se "não espírita", mas seguidor da "Filosofia de Fátima", uma nova doutrina orientada por sua mentora espiritual (o Espírito denominado Fátima) , inclusive por evocação do médium ou compulsoriamente por vontade de um Espírito que deseja se manifestar e encontre os meios de se manifestar através de qualquer pessoa dotada de percepções espirituais.


    Consequências da pseudomediunidade

    Toda vez que se levanta suspeita de embuste  mediúnico há prejuízo moral para o movimento espírita, porque o senso comum — que ignora a Doutrina Espírita — tende a generalizar a tudo e então põe em xeque a honestidade de todos os médiuns e até mesmo a validade do Espiritismo. Daí por que Allan Kardec nos exorta a denunciar a falsa mediunidade ou a usurpação desse dom. Desta feita, é sim uma baixa na divulgação da doutrina.

    Já para o embusteiro — o falso médium — nós podemos visualizar duas gravíssimas consequências:
    1. Em mistificando os valores da espiritualidade, o falsificador afasta de si justamente a iniciação da verdadeira e boa mediunidade, pois os bons Espíritos repugnam tais atos;
    2. A falsa atividade mediúnica não deixa de ser um ensaio para o pior aspecto de sua instrumentação, que é a obsessão: aquele que usurpa os valores espirituais só tende a atrair o concurso de comparsas; e o que não falta é Espíritos obsessores sedentos por se divertir às custas da perturbação de pseudomédiuns interesseiros.
    A criatividade artística levou às telas do cinema uma boa representação desse tipo de charlatanismo através do filme Ghost - do outro lado da vida (1990), em que uma falsa vidente (interpretada por Whoopi Goldberg) acaba por desenvolver capacidades mediúnicas, atraindo a companhia constante — e perturbadora — de Sam (Patrick Swayze), se bem que neste filme as coisas não foram tão ruins assim quanto pode ser na vida real. Que o diga quem tem o devido conhecimento de um processo obsessivo do tipo mais sério, como o de subjugação.


    A falsa vidente no filme Ghost

    Mediunidade realmente não é algo com o que se deva brincar.

    Além de tudo, é revoltante saber que por trás de interesses pessoais se brinque com os sentimentos alheios, sentimentos esses dos mais tocantes, pois estamos falando de uma das maiores dores e sofrimentos que se possa experimentar neste mundo, que é a ideia de "perda" de uma pessoa amada, enquanto que muita gente realmente imagina que esta vida carnal seja a verdadeira existência: uma carta mediúnica verdadeira pode dar não só conforto, mas abrir a mente dos familiares a respeito da imortalidade da alma, da continuação dos laços de afeto e a esperança de um reencontro com os entes queridos; de outra forma, a frustração a partir de uma fraude mediúnica pode desesperar corações e jogar pessoas na senda da incredulidade acerca de qualquer ideia espiritual.

    Veja também: "Sobre charlatões, milagres, varellas e outros efeitos colaterais do recurso mediúnico".

    E não poderíamos deixar de recomendar a leitura de O Livro dos Médiuns (baixe aqui gratuitamente), tanto para aqueles que gostariam de servir à causa espiritual através da mediunidade, quanto para aqueles que apenas desejam conhecer melhor a natureza desse canal de intermediação entre a Terra e o mundo invisível.

    quinta-feira, 19 de setembro de 2019

    Implicações da culpa (Jorge Hessen)

    Implicações da culpa (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    Muitas crianças são induzidas a agir de forma sempre “correta”, conforme o padrão do seu meio ambiente, dos valores éticos, das pressões existentes. Quando a criança é obrigada a fazer as coisas dessa ou daquela maneira, todas as vezes que faz de forma diferente desenvolve a culpa. A virtude do discernimento deve ser-lhe ensinada desde cedo pelos pais cônscios, por ser a virtude fundamental para que ela possa escolher com segurança aquilo que é certo de acordo com as leis divinas ínsitas na consciência. 

    Deve-se ensinar a criança a compreender as leis divinas; mostrá-la que errar é natural e faz parte do aprendizado, tanto quanto o erro deve ser reparado como condição natural para o desenvolvimento do senso moral. Mas se a criança desenvolve e cultua culpa e se acostuma com isso, quando chega à fase adulta a culpa se intensifica e se soma às culpas do passado, situando a vida numa condição insuportável. 

    A culpa ocasiona comoções, desordens autopunitivas e contribui para ausência de autoestima. Provoca compulsão autoexterminadora, como decorrência dos movimentos de autojulgamento, autocondenação e autopunição em que o culpado arruína a autoestima, tornando impossível o auto acolhimento amoroso. 

    A autoestima está conectada aos sentimentos básicos de autoaceitação, autoconfiança, autovalorização e autorrespeito, como anseios fundamentais para o equilíbrio do ser. Fora disso, surgem várias dificuldades de ordem mental e emocional, refletindo-se no corpo físico através do bombardeamento mental, comprometendo o organismo. 

    Sob a compulsão autoexterminadora pode-se chegar ao suicídio, direto ou ao suicídio indireto. Neste último caso, a pessoa martiriza o corpo através de emoções e pensamentos, entrando no estado de desinteresse pela vida, culminando em processos de depressões graves, ocasionando demais transtornos psíquicos e emocionais, como ansiedade generalizada, transtorno do pânico e desordem bipolar. 

    Na origem de toda doença sempre há componentes psíquicos ou espirituais. As moléstias são heranças decorrentes da divina Lei de Causa e Efeito, e decorrentes desta ou de vidas antecedentes. São escombros que fixaram nos genes os fatores propiciadores para a instalação dos distúrbios patológicos. 

    Quando fazemos esforços pacientes, continuados e perseverantes, desenvolvendo virtudes em nossos corações, mantemos inativadas as enfermidades genéticas. Podemos ter uma predisposição genética para o câncer e nunca desenvolvermos processos cancerígenos; podemos ter uma pré-disposição depressiva e jamais desenvolvermos a depressão; podemos ter uma família inteira com problemas genéticos que dependendo do nosso comportamento manteremos neutralizadas as predisposições genéticas enfermas. 

    Somos imagem e semelhança do Criador; somos de essência divina e fomos criados para a felicidade e harmonia. Quando procuramos desenvolver o equilíbrio existencial de forma responsável, não seremos alcançados pelas doenças genéticas, até porque não é a composição biológica que determina a saúde ou doença do espírito, mas é o espírito que comanda o corpo físico. 

    Sempre seremos amados pelo Criador, independentemente dos nossos erros. Será que um pai ou uma mãe ama o filho só quando ele faz as coisas certas? Na verdade os pais amam os seus filhos do mesmo jeito, independentemente das condições morais dos filhos. Será que um ser humano é mais amoroso do que Deus? Em face disso, não há razões para sustentarmos a baldia culpa impondo-nos a “distimia” (conduta mal-humorada), perdendo o interesse pelas atividades diárias normais, sentindo-se sem esperança, tendo baixa produtividade, baixa autoestima e um sentimento geral de inadequação como precursor da depressão. 

    Há os que mantêm o mal humor quase ininterruptamente. São aqueles que acordam mal-humorados, passam o dia mal-humorados e vão dormir mal-humorados, porque estão o tempo todo num processo de culpa em autojulgamento, autocondenação e autopunição. Para sair desse estado é imperioso desenvolver os sentimentos básicos da autoestima, da autoaceitação, da autoconfiança, da autovalorização e do autorrespeito. 


    Várias são as consequências da culpa, a saber: insegurança, isolacionismo, ausência de si mesmo (a) e dos outros. A pessoa entra em estado de isolamento psíquico e amplia o sentimento de abandono existencial. Não é possível alguém assim se sentir pertencente ao universo, e é exatamente o sentimento de pertencimento ao universo que gera em nós existencialismo e alegria de viver.

    quarta-feira, 4 de setembro de 2019

    Auto perdoar-se não é apagar os rabiscos do desacerto (Jorge Hessen)

    Auto perdoar-se não é apagar os rabiscos do desacerto (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    A culpa e o alerta da consciência são temas que merecem profundas reflexões . É importante dizer que o “alerta ou conflito da consciência ” ainda não é a instalação da culpa, porém, um convite ao arrependimento diante dos erros. Tal constrangimento consciencial é imprescindível para a reamornização do desalinho psicológico, procedente da culpa.
    consciência  é o Divino em nossa realidade existencial; nela estão escritas as Leis do Criador. Por sua vez, a culpa resulta da não auscultação do “alerta da consciência ” , portanto é patológica e gera profundo abalo psicológico autopunitivo. Detalhe: é impossível inexistir o alerta consciencial no psiquismo humano. Podemos fingir não ouvir a “voz da consciência ”, e apesar disso, ela sempre alertará, exceto nos casos extremos de psicopatologias em que o doente mental não sente um mínimo de arrependimento e ou culpa.
    O alerta consciencial sinaliza as transgressões à Lei de amor , justiça e caridade. À vista disso, tomamos consciência  e nos arrependemos do erro, buscando repará-lo. Por outro lado, a culpa é um processo patológico em que ficamos cultuando o erro sob o movimento psicológico de autojulgamento, autocondenação e autopunição.
    Das diversas características da culpa há aquela advinda da volúpia de “prazer” quando alguém não se divertiu como gostaria de ter (se esbaldado numa “balada”, por exemplo). Após a “farra” esse alguém se sente culpado e se cobra por não ter permanecido mais tempo na festa, por não ter realizado isso e ou aquilo etc. Sob esse estado psicologicamente perturbador surge a culpa como reflexo daquilo que não se fez e almejaria ter feito, resultando o movimento de autopunição.
    Todas as recordações negativas paralisam o entusiasmo para as ações no bem, únicas portadoras de esperança para a libertação da culpa. Quando entramos no processo autopunitivo geramos um processo de distanciamento da realidade da vida e do próprio viver. É um grande desafio transformarmos a experiência desafiadora (dor / “sofrimento”) em experiência de aprendizado. Para isso, importa fazermos o BEM no limite das nossas forças, principiando em nós mesmos, permitindo-nos experimentar esse BEM no coração e ao mesmo tempo realizarmos o BEM ao próximo, e assim  nos libertamos totalmente do nódulo culposo.
    A Lei de Causa e Efeito é um dos princípios fundamentais preconizados pela Doutrina Espírita para explicar as vicissitudes ligadas à vida humana. Ante a Lei de causalidade a colheita deriva da semeadura, sem qualquer expressão castradora ou fatalista para reparação. O “alerta de consciência ”, por exemplo, bem absorvido, transforma-se em componente responsável. Mas se o ignoramos desmoronamos no desculpismo rechaçamos a responsabilização do erro. Em face disso, o desculpismo é uma postura profundamente irresponsável perante si mesmo.
    O negligente (desculpista) pronuncia que “errar é humano”, porém é arriscado raciocinar assim. É um processo equivocado que ultraja a lei de Deus. Em verdade, não precisamos nos culpar (exigência) quando erramos, e muito menos nos desculpar (negligência), porém, carece ouvirmos a voz da consciência  e aprendermos com os erros a fim de repará-los.
    Sobre as diferentes peculiaridades da culpa ainda há aquela advinda naqueles trabalhadores que avidamente mergulham nos assistencialismos.  São confrades de consciência pesada que ambicionam consolidar a beneficência, visando, antes, anestesiarem a própria culpa. Na realidade, estão tentando barganhar com Deus, a fim de se livrarem da ansiedade mental. Decerto isso é uma prática espontânea e contraproducente.
    Não obstante, no M.E.B. - Movimento Espírita Brasileiro haja farta frente de serviços assistencialistas. O psiquiatra espírita Alírio Cerqueira, coordenador do Projeto Espiritizar da Federação Espirita do Mato Grosso, arrazoa que muitos fazem assistencialismos sem real consciência  da necessidade social dos desprovidos. Em verdade, laboram “caritativamente” sob as algemas da consciência  culposa e arriscam disfarçar para si mesmos o automático exercício de “altruísmo”. Agem subconscientemente quais portadores de ferida muito dolorosa, e em vez de tratá-la para cicatrizar, ficam passando pomada anestésica na ferida (culpa) para abrandar a dor.
    Agindo assim (no assistencialismo) a culpa momentaneamente é “escondida”, mas não desaparece, pois, passando o efeito do anestésico a culpa retorna e a pessoa mantém o conflito de consciência . Desse modo, vai ampliando cada vez mais os compromissos “filantrópicos”; vai se sobrecarregando nos pactos “caritativos”; porém, a culpa é conservada. Muitos passam a vida inteira nessa atitude de “FAZEÇÃO DE COISAS” sem qualquer objetivo consciencial. Tais “caridosos” com certeza socorrem TEMPORARIAMENTE os necessitados, todavia, provocam para si mesmos , em alto grau,  o cansaço mental, o estresse e a saturação psicológica e não conseguem se HARMONIZAREM CONSIGO MESMOS.
    Na verdade, o objetivo das leis divinas (sediadas na consciência ) é nos proporcionar a pura e eterna felicidade. Em face disso, quando as transgredimos ficamos ansiosos, porque nos afastamos da felicidade, logo, sentimos extrema ansiedade. Em face disso é importante o exercício do auto perdão que obviamente não extinguirá a responsabilidade dos erros praticados, até porque auto perdoar-se não é simplesmente passar uma borracha em cima do desacerto, mas fazer uma avaliação equilibrada do desacerto para repará-lo.
    No extremo, há pessoas que alimentam tanta culpa que se sentem indignas de fazer uma prece e ou de fazer o bem. Porém, ajuizemos o seguinte: a prece não é para espíritos puros. Jesus orientou que não são os sadios que necessitam de médicos, mas os doentes. Ora, esperarmos nossa purificação para orar e fazer o bem não faz nenhum sentido, até porque nos aperfeiçoamos gradualmente, orando inicialmente e de maneira especial fazendo bem no limite das nossas forças.


    quinta-feira, 1 de agosto de 2019

    Os riscos reais dos “concursos de beleza mirim”. Cuidado! (Jorge Hessen)

    Os riscos reais dos “concursos de beleza mirim”. Cuidado!  (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília-DF

    O Programa do Sílvio Santos, do SBT, tem apresentado nas suas atrações um concurso de miss mirim na TV. São meninas na faixa etária até no máximo 10 anos de idade que desfilam sensualizadas vestidas de maiô e rostos maquiados, e disputam quem é a mais bonita. O programa tem sido mira de reprimendas, considerando-se o plausível conflito psicológico que poderá trazer para as mentes infantis.
    Tal iniciativa robustece arquétipos de beleza que se enquadram desde cedo em um padrão extremamente restritivo de “formosura” feminina, ou seja, magrinha, loirinha, altinha, olhinhos claros etc. Obviamente tudo isso é extremamente lesivo para o desenvolvimento da criança, pois que competição de beleza desse tipo não é saudável para o desenvolvimento social de uma criança. Até porque os efeitos dessa “brincadeira” poderão ser perversos tanto para a “vencedora” quanto para as “perdedoras”, pois todas tenderão tombar sob transtornos de ansiedade, desordens alimentares, baixa autoestima e depressão, dentre outras patologias psíquicas e emocionais.
    A “vencedora” certamente se prenderá àquele conceito de "beleza" que, caso se transforme na adolescência ou na vida adulta, poderá levá-la a se sentir “menos bela”. Já as “perdedoras” poderão interrogar "o que a vencedora tem que eu não tenho?”, derivando daí o nascedouro de tumultos psicológicos.
    A criança não tem espontaneamente o desejo de aparecer, de ser a mais bonita, se não for estimulada por adultos. No fundo, é o ego dos pais que estimula. Pais que estão conduzindo suas filhas a entrar precocemente no mundo sexual adulto, atropelando fases do desenvolvimento e prejudicando o processo de aprendizagem afetiva das pequenas. Ou seja, a sexualidade, entendida como elemento presente em todos os estágios de desenvolvimento do indivíduo, acaba sendo desviada para o erótico, o excitante, o sensual, quando na realidade deveria ser canalizada para a construção das emoções, das relações sociais, da experimentação de papéis e do desenvolvimento da afetividade. E isso é profundamente danoso.
    Entendo que os pais que inscrevem suas filhas para tais concursos certamente transportam frustrações íntimas e transferem para os rebentos a pretensão íntima de desfilarem nas passarelas. São pais que insistem em viver no mundo da fantasia e dos contos de fadas.
    Recordo de Isabella Barrett, uma criança de apenas 6 anos, que foi estrela de concursos de beleza mirim transmitido pelo canal Discovery Home & Health, no programa Toddlers & Tiaras. O evento, transmitido com o título “Pequenas Misses”. Pasmem! Concursos de beleza de crianças são populares nos Estados Unidos porque têm clientela.
    Recentemente assisti a um documentário assombroso, noticiando sobre a adolescência e a juventude dessas “ex-misses mirins”. Muitas delas foram forçadas pelos pais a participar desses concursos peculiares. Registra o documentário que a maioria dessas crianças se transforma em pessoas com dramas psiquiátricos profundos, e algumas mergulham nos subterrâneos das drogas e do meretrício. No epílogo do programa, ficamos sabendo que ao início dos problemas pessoais dessas crianças, na fase pré-adolescente, a maioria dos pais abandona as filhas ao “deus-dará”, na vida mundana.
    Assunto correlado, escrevemos há alguns anos sobre Thylane Lena Rose Blondeau, uma menina de 10 anos de idade que fez uma produção fotográfica para a revista Vogue Paris, erguendo polêmica devido à roupa ousada, maquiagem e poses provocantes. O ensaio fotográfico causou indignação em pessoas ligadas a ONGs de proteção à criança. De acordo com a organização “Concerned Women for America”, os pais da criança devem ser responsabilizados por ter permitido à criança realizar aquele trabalho. (1)
    Percebemos claramente a exploração infantil e temos convicção de que os pais deviam ser criminalizados. Infelizmente, o mundo ingênuo da criança vem sendo explorado pela fúria predadora da sensualidade desorientada, envilecendo a inocência e dignidade infantis. Como se não bastasse “o caso Thylane”, há outras situações polêmicas na contenda, a exemplo dos cursos de pole dancing (2) para crianças, na cidade do México, e dança “funk carioca”, no estado do Rio de Janeiro. Muitas meninas (crianças e adolescentes) têm aderido ao “sexting” (3), postando fotos sensuais na internet. São meninas e meninos que exploram os espaços virtuais nos sites de relacionamento.
    Cada vez mais cedo, e com maior magnitude, as excitações da criança e do adolescente germinam adicionadas pelos diversos e desencontrados apelos das revistas libertinas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo impulsivo, do mau gosto comportamental, da banalidade exibida e outras tantas extravagâncias, como espelhos claros de pais que vivem alucinados, estancados e desatualizados, enjaulados em seus quefazeres diários e que jamais podem demorar-se à frente da educação dos próprios filhos.
    A criança é o futuro, sabemos disso. E, “com exceção dos espíritos missionários, os homens de agora serão as crianças de amanhã, no processo reencarnacionista (4)”. A demanda de redenção dos novos tempos que chegam há de principiar na alma da infância, se não quisermos divagar nos cipoais teóricos da fantasia exacerbada. Precisamos perceber no coração infantil o esboço da geração próxima, procurando ampará-lo em todas as direções, pois “a orientação da infância é a profilaxia do futuro (5)”. Por questão de prudência cristã, não podemos permitir “que as crianças participem de reuniões ou festas que lhes conspurquem os sentimentos em nenhuma oportunidade, porque a criança sofre de maneira profunda a influência do meio (6)”.
    Fiquemos atentos, pois a educação, por definição, constitui-se na base da formação de uma sociedade saudável. A tarefa dos pais é a da educação das crianças pelo exemplo de total dignificação moral sob as bênçãos de Deus. Nesse sentido, os postulados Espíritas são antídotos contra todos os venenosos ardis humanos, posto que aqueles que os conhecem têm consciência de que não poderão se eximir das suas responsabilidades sociais, sabendo que o futuro é uma decorrência do presente. Deste modo, é urgente identificarmos no coração infantil o esboço da futura geração saudável.

                                                                
    Referências bibliográficas:
    (1) Hessen, Jorge. Artigo Educação espírita: Arcabouço da futura geração saudável, disponível em http://aluznamente.com.br/educacao-espirita-  arcabouco-da-futura-geracao-saudavel/ acessado em 17/05/2013
    (2) Pole dance tem suas raízes na dança exótica, strip-tease e burlesco e têm elementos de apelo sexual e subversão
    (3) Refere-se a envio e divulgação de conteúdos eróticos, sensuais e sexuais com imagens pessoais pela internet utilizando-se de qualquer meio eletrônico, como câmeras fotográficas digitais, webcams e smartphones.
    (4) Xavier, Francisco Cândido. Coletânea do Além, ditado por Espíritos Diversos, São Paulo: FEESP, 1945, Cap. A Criança e o Futuro pelo Espírito Emmanuel
    (5) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997, Cap. 21- Perante a Criança
    (6) idem

    terça-feira, 23 de julho de 2019

    Culpa e sentimento de rejeição (*) (Jorge Hessen)

    Culpa e sentimento de rejeição (*) (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen 
    Brasília-DF 

    Ante os delitos morais cometidos, há pessoas que introjetam a autorrejeição, implantando na consciência a chaga da culpa. Por efeito disso, sentem-se rejeitadas por todos, ao invés de trabalharem pela reparação do erro. Até porque se não o fizer de imediato arremessará para a encarnação seguinte os conflitos conscienciais incrustados. 

    Há os que arriscam camuflar os delitos, porém ocultar conflitos culposos não libera a consequência do desacerto, porquanto as desordens íntimas surgirão na forma de enfermidade física, emocional ou psicológica. Por conseguinte, projetarão suspeitas infundadas nos outros, receando serem identificados e desmascarados.

    Na atual existência existem diversos casos de autorrejeição dos transgressores das leis divinas da consciência. São aqueles que na juventude, na “calada da noite”, fizeram abortos criminosos e receiam serem descobertos. Há os que cometeram vis adultérios e buscam esconder-se dos outros e sob a chibata da culpa temem ser revelados a qualquer momento. Esses são casos infrequentes, os menos raros são os culpados por crimes esquecidos de reencarnações anteriores. Daqueles que trazem a mácula perante a consciência e como não se superaram nas vidas anteriores, permanecem hoje alimentando culpas. 

    Mesmo que os demais não descubram seus crimes e os desmascarem, o movimento de autorrejeição delonga a expansão. Quando não se tem consciência desse processo e não há coragem (ação pelo coração) para reparação do erro, o mecanismo de autorrejeição se aprofunda e o culpado cria inimigos em todos os lugares. Guiados pelo imaginário, permanecem em estado de paranoia culposa. Por consequência, conservam os níveis egocêntricos, neuróticos e transformam uma situação imaginária em acontecimento real. 

    Desse modo, encharcados pelo psiquismo autodefensivo agridem os outros. Sentem-se sucessivamente invadidos na intimidade e atacam o próximo. Sob o mecanismo psicológico de projeção creem que os outros os julgam, condenam e punem, razão pelo qual vivem se precavendo contra tudo e contra todos. 

    No estado paranoico da culpa, decorrente dos crimes cometidos no passado, mesmo que esquecidos, o culpado se sente criminoso e entende que a qualquer momento será desmascarado e sob nessa alucinação acredita que os outros o estão perseguindo.

    As leis divinas não são punitivas, elas são amorosas, educativas (provacionais) e reeducativas (expiatórias). Certamente violações às leis morais incidirão na economia espiritual, precisando de reparação dos agravos. Não necessariamente numa reencarnação imediata, até porque, atualmente, muitos poderão estar reparando crimes de dez encarnações anteriores. Ademais, será necessária a dor para reparação dos erros? Cremos que não. O caminho seguro será o desenvolvimento das virtudes do coração, atuando com autoamor e amor ao próximo. 

    A autoconsciência e o autoperdão são mecanismos que tornam dispostos os infratores para reparação do delito. Sendo que a evolução espiritual ocorre tanto na horizontal como na vertical da vida. A dor é o aguilhão que impele a evolução na horizontal. O transgressor sofre até o limite do cansaço e no esfalfamento observa que não há outra alternativa, senão fazer o BEM, decidindo daí galgar na vertical da vida.

    Nos casos em que os conflitos culposos são muito intensos, são necessários tratamentos psicoterápicos para recuperação. Dificilmente o culpado se liberta sozinho das desordens concienciais, porque a culpa incrustada na mente pesa muito no psiquismo, daí a necessidade terapêutica para que o culpado compreenda a realidade como ela é e não da forma como crê que seja.

    O estado de culpa acarreta a obsessão. O processo obsessivo, de modo geral, não começa no obsessor, porém nas matrizes conscienciais do culpado autorejeitado que se movimenta psicologicamente no autojulgamento, autocondenação e autopunição, cunhando aí o plugue mental, quando esbugalha a mente para o complexo obsessivo. Metaforicamente expondo, a culpa é o plugue mental que favorece a obsessão. 

    Na verdade, muitos processos obsessivos não são evidentes, porém sutis e intensos. A intensidade é a alienação e a sutilidade é a intervenção sorrateira do obsessor sem que o obsedado perceba. Deste modo é hipnotizado e condicionado a práticas malsãs, passando uma existência espiritual e sutilmente  perseguido. Muitas vezes só se dá conta da obsessão após a desencarnação.

    A melhor terapia para a culpa é o exercício do Evangelho como convite para afastar-se do egocentrismo e centrar-se na essência divina que É. Esse é o caminho para a libertação dos movimentos egocêntricos e egoicos. A prática da leitura edificante, os afazeres da caridade necessariamente para consigo, e em seguida a caridade real com o próximo “sem assistencialismos inócuos”, a participação das atividades do centro espírita , em geral podem promover o espírito imortal e auxiliar todos os envolvidos. 

    Quando dissemos “sem assistencialismos inócuos” afirmamos que a maior caridade não é a material, mas a espiritual que precisa ser exercida sob o símbolo da benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias e perdão das ofensas. Que são exercícios práticos para que as pessoas se desvencilhem da monoideia da culpa. Nesse movimento de exercícios espíritas cristãos, a mente não mais permite a introdução das ideias dos obsessores e a pessoa realiza as ações práticas, que são bastante trabalhosas, mas impulsionam a evolução na vertical da vida. É como ascender numa escada aprumada e muito íngreme , mas poucos são aqueles que se dispõem a elevar-se , a maioria permanece rezingando dizendo que a vida é “madrasta” sem fazer esforços reais para a ascensão. 

    Com as práticas cristãs as pessoas realizam ações concretas consigo mesmas e com o próximo, trabalhando não mais no movimento paranoico da culpa, porém no movimento harmonizador de si mesmas e dos outros, ,porém isso não se consegue por promessas labiais, mas por ações efetivas. A medida que vamos amadurando a consciência, priorizamos o que é essencial e colocamos o ego a serviço do eu espírito imortal. 

    Nas condições humanas ainda temos uma estrutura egoica, todavia somos essência divina. Contudo, acreditamos que somos o ego, mas não somos. Quando expandimos a consciência percebemos que temos um ego, mas somos essência divina. Ter o chamado ego não é problema. Embora ele ainda traga a sua ignorância, porquanto moureja na dimensão do não saber, do não sentir e do não vivenciar as leis divinas, o ego precisa ser iluminado pela essência divina que somos. 

    A autorrejeição comumente não surge de forma evidente, porém veladamente. Surge muitas vezes na condição de complexos de inferioridade ou de superioridade. Aparece com a tendência de solidão , de rejeição ou por inveja dos outros. 

    O culpado rejeita todos os que trabalham pela autorrenovação. Porque estes estão dando exemplo para ele. Identifica nos outros um “espelho” retratando o comportamento que deveria ter, mas que não se dispõe a tal. Em face disso, rejeita e repudia o “espelho” , arremessa-lhe pedra para fragmentá-lo, para não ver a imagem da renovação que deveria buscar. Deste modo, mantém-se preguiçoso e acovardado para a autorrenovação moral. O “espelho” saindo da sua vista não ficará todo momento recomendando e cobrando o que deve fazer.

    Em síntese, é urgente que afastemo-nos da chaga chamada culpa e utilizemos a razão para o equilíbrio íntimo, a fim de que possamos reparar o mal que fizemos no passado. Trabalhemos com penhor e segurança pelo progresso individual e coletivo, até porque a culpa nos transforma em pesos mortos na economia ativa da sociedade e não conseguiremos realizar nada de bem, belo e bom para ninguém sob o guante da culpa.

    (*) Fonte: 

    Projeto Espiritizar / FEEMT - Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=_7HRHX1Z-MI&list=PL1r1wspRthZQrAp3ok5owfAPGldFn79nV&index=3 acesso 22/07/2019